Imagem cômica de um boneco de testes caído atrás de uma cadeira rodas, como se houvesse uma explosão em um sanitárioBom dia, queridos leitores. Esta é minha primeira coluna e, então, devo adiantar algumas informações. Primeiramente devo informar que gosto de polêmica e, em nenhum momento, falo em nome de todos os deficientes. Minhas opiniões cabem somente a mim.

Em seguida cito que nunca falei de minha deficiência porque considero minha cadeira de rodas uma cicatriz, não uma dificuldade, mas adoro polemizar, então se segura.

Para o primeiro tópico escolhi falar das famigeradas perguntas que todo deficiente recebe no convívio social. Afinal, não é todo dia que você vê um broto em cima de quatro rodas vivendo como se a vida fosse a mesma para todos. A curiosidade é algo tão comum quanto peidar e colocar a culpa no cachorro.

Pois bem, sempre fui questionado se a maratona de perguntas quanto a minha situação é algo que me incomoda, e a resposta é sempre a mesma: DEPENDE!

Veja bem, não é que seja legal ser interrogado sobre todas as premissas da minha intimidade, porém, tudo tem um conceito e um porquê. As perguntas norteiam o quanto as pessoas estão interessadas na sua situação e quanta empatia elas são capazes de desenvolver. Tudo é questão de momento, pensa comigo na seguinte situação:

Em uma balada lotada uma das pessoas da roda resolve ir ao banheiro, então, aquele ser que está conversando com você começa a queimar neurônios até te perguntar:

“Nossa, como você faz para ir ao banheiro?”

Nesse momento eu sei que a curiosidade dela está voltada ao fato de uma dificuldade iminente e não a uma superficialidade. Esta pessoa está sendo empática.

No entanto existem outros casos como o do ser que, em meio a uma conversa alheia, dá um gole em sua cerveja e pergunta em alto e bom tom:

“Caralho, mas como você faz para trepar? Teu pau sobe?”

Nesse momento eu sei que aquela pessoa, ou está querendo trepar comigo, ou é de uma futilidade perturbadora. Isso incomoda.

Resumindo, meus pezinhos de alface, nunca tenham medo de perguntar ou se importar. Apenas, antes disso, analise seu contexto e tom. Afinal, um contexto errado pode acabar com o popô em chamas.

Beijos a todos
Até segunda-feira


Érico Brena

Escritor, roteirista, responsável de criação e humorista. Apareço por aqui para compartilhar os meus humildes pensamentos e palhaçadas.